segunda-feira, 13 de abril de 2009

Manufatureira eu? kkkkk.


Senti vontade de comentar sobre esse assunto aqui, pois é estranho como no Brasil as pessoas desvalorizam os sentimentos dos outros com relação ao que decidem da própria vida.
Eu aceitei uma encomenda aqui em SP, de uma loja do Itaim que paga absurdamente barato pelo meu produto (coisas feitas com flores de tecido). Eu só aceitei pois era de uma amiga de um amigo, e que seria feita a tal da encomenda em janeiro. Eu me atrapalhei inteira pois contei com isso e como trabalho sozinha ainda, não poderia estar ocupada ou envolvida com mais nada pra atender este pedido... Fiquei à toa esperando, depois me passaram um monte de coisas ao mesmo tempo, e ainda faziam pressão tipo, desvalorizando o que faço... Enfim, entreguei e me livrei da pior coisa que poderia ter aceitado aqui neste momento...
Todo mundo sabe que no exterior o "hand made" é altamente valorizado, e exportado como algo precioso. O Brasil é um campo valioso para exportar esse tipo de produto, óbvio... Tá na cara.

Desde que cheguei aqui em sampa, muitas pessoas olham pra mim pensando: você não vai ficar fazendo flores a vida toda né? O que querem? Que eu preste concurso público? kkkkkkkk, ou trabalhe no Bom Retiro pros Coreanos? (vou apanhar... k)
Acho engraçadíssimo que pensem que me rebaixei, partindo por querer um trabalho "hand made". Como se atuar como professora universitária nessa merda de país mal governado fosse realmente algum status assim tão venerável.
Eu fui professora universitária por 3 anos e meio, sou formada por uma faculdade de Design de moda federal, estudei no exterior, fiz alta costura com senhoras que trabalharam com Balenciaga na Espanha, conheci vários lugares da Europa, e pra quê? Pra decidir valorizar o que tenho em casa, kct. Sempre quis ir pra "Paris"achando que era o máximo e simplesmente vi que não era porcaria nenhuma disso tudo que diziam.
Minha primeira coleção em uma empresa foi patrocinada pela Swarovski, com duas tops desfilando e ainda saiu em revistas nacionais, e eu nem formada estava ainda. Decidi que queria algo que pudesse controlar ao invés de ser controlada, mesmo que isso me custasse mais caro na vida.
Eu tenho uma história na minha família de pessoas que trabalham com criatividade e suas mãos.
Eu não sou uma simples manufatureira, sei exatamente onde quero chegar! Não vendo flores de tecido simplesmente, vendo a idéia de fazer coisas com amor passadas de geração em geração.
As minhas flores representam a idéia de uma família com mulheres maravilhosas! E isso não significa que eram doninhas de casa fazendo coisinhas de mulherzinhas com maridinho em casa não. Minha avó sustenta a casa dela com suas flores, minha madrinha também é formada em artes pela Universidade Federal, e faz bijouxs...
Minha mãe era engenheira agrônoma, meu pai médico psiquiatra, mas todos eles eram ligados às artes, como teatro, pintura, desenho e outras coisas que envolvem mãos e sentimentos... Fui criada assim.
Não me rebaixei, me decidi por isso!
Talvez eu até tenha um romantismo exagerado nisso tudo... Mas não importa. Faço o que acredito. Quero as flores da minha avó espalhadas pelo mundo. E vou conseguir. Meu foco não é São Paulo, nunca foi. Só estou aqui, pois acho mais fácil divulgar as coisas partindo dos grandes centros... Lógico, aliás.
O resto será consequência, venha o que vier.
E continuarei rindo da cara de quem acha que tenho que ser advogada, odontóloga, médica, ou professorinha, ou até mesmo artista cheia de pose arrogante pra ser respeitada. Isso é coisa de gente antiga que quer que os filhos se "deêm" bem, ou coisa de gente metida a besta que acha que arte é arrotar faisão (e olha que pra mim, faisão é só uma galinhona mais fashion na roupinha, k).
Hoje em dia, todo mundo pode ser o que quiser, aliás viva a diversidade! Com tantos campos em aberto, podemos finalmente ser músicos, artistas, blogueiros, e inclusive enriquecermos, ficarmos famosos e tudo o mais.
Povo idiota, eu hein?
Sou designer, artista e essencialmente brasileira!
Desejo sinceramente que esse tanto de gente frustrada, que não possuem a coragem pra pegar as rédeas do que realmente querem pra si, se resolvam nem que seja depois de gastarem toda a grana que ganham em psicólogos e drogas lícitas ou não...

Bárbara Félix.